
despertam-nos dos sonhos
cadentes estrelas
sob o luar, o espantalho. busca no céu as estrelas azuis que aninha no bolso da velha camisa, enquanto sonha noites que aos seus ombros de palha trarão de volta pirilampos. e aos seus braços, a menina que numa primavera distante amanheceu-lhe girassóis.
seus olhos, pode abri-los agora. já não há mais dor e o medo ficou trancado no baú de maldades daquela velha bruxa que tanto lhe assombrava as noites. ela agora se foi junto à doença que se apossou de mim por anos a fio, tornando a vida um aglomerado de amanheceres descascados qual céu banguela de nuvens. não, não chore! foi só um pesadelo. o seu irmão dorme na cama ao lado e o seu pai está a roncar lá no outro quarto. não há o que temer, eles amam você e não lhe deixarão sozinho. se eu contar uma estória, você abre os olhos e depois volta a dormir? quando eu era pequena, aprendi com a sua avó que todas às vezes que a noite quer nos roubar a esperança, pirilampos iluminam o céu e viram estrelas cadentes que realizam nossos desejos, bastando pra isso jamais desistirmos de sonhar. abra os olhos, filhinho. eu estou aqui, a lhe abraçar. abra os olhos: nada nos afastará, eu juro. estarei ao seu lado, mesmo que você só possa me sentir como quem sente um olhar já vivido acarinhando a lonjura da alma. não há o que temer. a morte vem e passa, como também passam a tristeza e a dor. só a felicidade quer eternidade. e hoje ela está aqui, conosco, pra que eu te embale no colo e te faça ninar.