sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

antonio berni

Porque disseram que eu sou um erro. Porque cuspiram no meu rosto um homem mentiroso que nunca serei. Porque nesse mundo de sorrisos acinzentados não é permitido respirar felicidade. Porque eu preciso sobreviver pra que o mundo de nós dois não morra. Porque eu preciso inventar um adeus que seja nunca. Um adeus que tenha fim.


dou-te as lágrimas
que neguei ao colo de deus:
eu preciso recuperar o sonho
que escapou aos nossos olhos
levando consigo a candura
encantada dos girassóis.

dou-te as preces
que acreditam nas minhas mãos:
aninhe-as quando chegar o entardecer
pra que povoem no teu céu andorinhas
azulando as manhãs solitárias e frágeis
dessa longa ausência de mim.

3 comentários:

Ana disse...

Andei vendo "eu, espantalho" e encontrei. Arrebatamentos. O que sempre busco. A harmonia de cores e imagens é perfeita e muitas palavras me fizeram sentir. Encontrei algumas em especial, será poderia deixá-las na minha casa como escritas por você? douglas D.? Assim mesmo?, com inicial minúscula, contradição? Adorei a maneira como fala da menina que ama. Me reconheci na maneira como falo ao meu Poeta. Vou ver teus outros blogs.

Claudia Perotti disse...

Muito bonito e forte teu texto!
Gostei!

Beijinhossss

diovvani disse...

Olha, andei lendo da raíz à copa de sua árvore-poética. Gosto muito da forma como escreve. Melancolia? Acho que não, você se expressa numa oitava diferente que, ainda não conheço bem. MontanhosoAbraçoDasGerais.