
CANTIGA DO ESPANTALHO ENTREOLHANDO LEMBRANÇAS
AMANHECERES
Eu sou um homem de palha
Esvazio meus sentimentos
Abandonando teus cílios de chuva
Junto aos pássaros sem ninho
Que me bicam os olhos castanhos
Sob as abas do meu chapéu.
AMANHECERES
Eu sou um homem de palha
Esvazio meus sentimentos
Abandonando teus cílios de chuva
Junto aos pássaros sem ninho
Que me bicam os olhos castanhos
Sob as abas do meu chapéu.
*
DEVOÇÃO
Eu sou um homem de palha
Finco-me diante do horizonte poente
Sombreando teus ombros brancos e nus
Fazendo-te dormir quando chega a madrugada
Orando baixinho ao teu lado
Pra que sonhes estrelas e amanheças girassóis.
DEVOÇÃO
Eu sou um homem de palha
Finco-me diante do horizonte poente
Sombreando teus ombros brancos e nus
Fazendo-te dormir quando chega a madrugada
Orando baixinho ao teu lado
Pra que sonhes estrelas e amanheças girassóis.
*
PRELÚDIO
Eu sou um homem de palha
Guardo deuses febris nas minhas entranhas
Planto auroras infantes no teu horizonte
E sob as velhas roupas que me abrigam
Amarguro as raízes que me prendem ao que sou
Sempre que o frio sussurra teu nome.
PRELÚDIO
Eu sou um homem de palha
Guardo deuses febris nas minhas entranhas
Planto auroras infantes no teu horizonte
E sob as velhas roupas que me abrigam
Amarguro as raízes que me prendem ao que sou
Sempre que o frio sussurra teu nome.