segunda-feira, 4 de abril de 2022

 chuva.

ou melhor,

os sons e cheiros da chuva.

opero sonhos, em vão.

redesenho memórias

revisito paisagens

repouso minhas mãos sobre o peito

vazio.

eu, espantalho.

domingo, 6 de janeiro de 2019


por você 

meu amor sangra

desembainha a solidão

inventa outra vida

página após página

e acaba só

segunda-feira, 20 de novembro de 2017



amanhecia, menina

era você, conosco

pela vida que seguia

meus girassóis e teus olhos de mar


porque assim, menina

éramos nós, comigo 

pelos desatinos dos meus poentes

teu amor a me desaguar 

domingo, 30 de abril de 2017



                                                       le printemps (1883). odilon redon 


- as cantigas de ninar, por que não lembras mais?

- estrelas cadentes escapam ao tempo, não os sonhos

-  há brinquedos espalhados no quarto do meio. o carneiro de borracha o carrossel o forte-apache 

- não vês? tua mãe acena e logo estaremos todos juntos

- sob as pálpebras, desdigo horizontes.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017



(ao amigo marco alexandre)


porque distantes, amigo

pergunto se as canções que me habitam

são lugares onde sempre estivemos

ou memórias entardecidas

feito um carrossel vazio

lentamente a girar 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017


[ajoelha]

busca os últimos traços de memória

sob os azulejos portugueses 

tombados pela rigidez

da eternidade


(imagem de redon)

quarta-feira, 16 de maio de 2012

já não encontro ruídos naquilo que ouço
nem mesmo quando chovem tardes poentes
sobre as ruínas desta cidade esquecida em mim

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Aceitei o convite do Cláudio B. Carlos (CC), e agora escrevo aqui, em boa companhia.

http://donazicatabraba.wordpress.com/

domingo, 8 de janeiro de 2012



rogo à chuva
não desaguar os vestígios de ti
[mantenho os pés descalços e a memória vaga]


já não me encontro naquilo que sei
já não me perco naquilo que fui
[há nuvens onde queria mar] 



domingo, 4 de dezembro de 2011

ao lirinha


o pedaço de céu que você me mandou


não há parede a cabê-lo


não há janela a contê-lo


nem dor júbilo ou horizonte


a sabê-lo


[que não eu]


a cantar-te daqui

sábado, 22 de outubro de 2011

o filho que nascerei
há muito repousa no rosto dos meus mortos
castanhos, olhos castanhos
e um sorriso que entardece primaveras

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

alimenta meus sonhos
porque sozinho
porque desnudo 
porque cansado
de tamanho pesar

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

donde vens
que não trazes
os girassóis
que um dia sonhei?



quinta-feira, 16 de junho de 2011

com o outono
cicatrizando-me a pele
busco
tão longe de casa
pequenos gestos
paisagens
vestígios quaisquer
[acalentos às memórias]

quarta-feira, 23 de março de 2011

ali, no quintal
de manhãzinha
inventava as estrelas cadentes
que lhe povoariam de sorrisos
as noites desertas.


ali, no quintal
de manhãzinha
soletrava o voo dos besouros
e aquarelava pingos de chuva
acreditando que a infância não iria acabar.

[das árvores aprendera a fundura do vento]

queria mesmo com as formigas verdes sonhar

sábado, 25 de dezembro de 2010

arrasta contigo
essa horda sem rosto
que há muito desabrigou-me
da solidão
[anjos selarão teu nome]

terça-feira, 12 de outubro de 2010

já não cabes em minhas perdas
maior que o frio desse inverno
és.
em ti, o sonho cresceu erosão
eu,
eu nunca me soube mar.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010


imagem de josé roosevelt

para nina rizzi
http://ellenismos.blogspot.com/

teus dentes e lábios e pernas e unhas, lilases
arregimentam o que escapa ao meu arco-íris.
tens olhos que explodem girassóis.
[tua guerra é feita de cores e pétalas]

sexta-feira, 16 de julho de 2010

preciso que me alimentem o avesso do medo
porque morrer aqui sozinho
é menos do que me cabe

terça-feira, 29 de junho de 2010






aos que chegavam


com o silêncio do sol poente


curvava-se


como quem sempre soubera


a eles pertencer a tristeza da noite


e as promessas de todo amanhecer




imagem de caleb morgan